opinião

Semestre com boas notícias e um cenário de dúvidas

Finalmente no Brasil as bilheterias de maio aqueceram o mercado a ponto de superarem alguns meses de 2019. Esta semana a forte entrada de Jurassic World: Domínio por aqui provocou no circuito um acúmulo de blockbuster, que poderá estender o sucesso das bilheterias até agora para junho, que terá ainda o lançamento de Lightyear (Disney), produção da Pixar que teve 30 minutos mostrados no Show de Inverno. E fechando o mês teremos o novo Minions (Universal), uma animação diferenciada com marca reconhecida pelo público. Esse novo cenário que maio nos trouxe, somado a esses filmes programados em seguida, poderá dar ao primeiro semestre de 2022 um grande impulso na recuperação para o cinema

O mercado e a indústria estão repletos de contradições, como nos comentou um grande exibidor no Show de Inverno. Se por um lado o streaming surgiu como o grande vilão da pandemia, ele agora contribui para a efervescência da produção nacional, como também facilita às distribuidoras nacionais fazer o lançamento de seus filmes no mercado de cinema, pois a venda antecipada para o streaming garante um menor risco nos custos de marketing e até possibilita um certo retorno para distribuidores e produtores nacionais. Por outro lado, mesmo que as distribuidoras internacionais não estejam mais lançando seus filmes ‘day to date’, o streaming continua sendo um forte competidor do cinema na hora de o espectador decidir onde e quando assistirá a seus filmes. 

Não se sabe ainda como ou se essa situação vai perdurar. Talvez a maior contradição de todas seja o grande volume de investimentos que a cadeia produtiva do audiovisual vem tendo nos últimos anos, ao mesmo tempo que produz conteúdos gigantescos em série e cria novas formas de exibição digital com produtos inéditos, que se espalham pelo mundo todo na velocidade de um trem-bala, produzindo um novo tipo de espectador: os assinantes.

Será que a produção nacional continuará com essa situação atual de poder contar com duas fontes de financiamento fortes, como a Ancine e as operadoras de streaming? Até quando os exibidores resistirão a essa pressão de competição por um lado, e de aumento considerável dos custos por outro lado, principalmente em relação ao aluguel dos espaços nos shopping centers?